HIDRATE-SE: CUIDADOS PARA O VERÃO

HIDRATE-SE: CUIDADOS  PARA O VERÃO<
02/03/2017

A ingestão inadequada de água e a hipertermia podem trazer uma série de complicações para a nossa saúde. Em situação máxima, um adulto pode produzir mais de 0,5 L/h de suor.

 

A manutenção da temperatura corporal em níveis adequados é uma função muito importante. Não é à toa que ligeiras variações são capazes de resultar em graves alterações metabólicas e enzimáticas. Para manter a nossa homeostase (equilíbrio do organismo), necessitamos que o sistema termorregulador mantenha a temperatura constante e com ligeiras variações –em torno de 36,5º e 37.1ºC. Acima destes valores temos uma condição conhecida como hipertermia e o contrário é conhecido como hipotermia. A termorregulação (regulação da temperatura corporal) é realizada através de uma complexa interação entre alguns sistemas, como termorreceptores centrais e periféricos, sistema de condução aferente, controle central da integração dos impulsos térmicos e sistema de respostas eferentes. Entre estes sistemas, na base do nosso crânio, temos um órgão chamado hipotálamo. Este órgão é responsável por diversas funções imprescindíveis para a manutenção da vida. O controle central da temperatura corporal e suor é uma delas.

No verão, todos nós sabemos que a temperatura externa (do ambiente) tende a chegar a níveis extremos. Pior ainda é a sensação térmica deste período. Por isso é importante tomarmos algumas medidas a fim de evitar a desidratação e, por conseguinte, o comprometimento dos nossos órgãos e sistemas. No calor, a primeira defesa do nosso organismo consiste na vasodilatação cutânea (aumento da porosidade da pele). Através do suor, ocorre a perda de detritos do metabolismo. O suor é um ultrafiltrado do plasma que contém sais minerais(principalmente o cloreto de sódio), ácido lático, uréia, amônia e pequena quantidade de proteínas. Vale a ressalva de que a sua composição depende da intensidade e do estado de hidratação de cada indivíduo. Em situação máxima, um adulto pode produzir mais de 0,5 L/h de suor.

 

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DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA CORPÓREA:

Nosso organismo é composto de 50{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} a 75{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} de água, sendo que este percentual pode variar de acordo com o sexo e idade. Para vocês terem uma noção, a quantidade total de água em um homem com peso médio (70 kg) aproxima-se a 40 litros. A distribuição dos líquidos no nosso organismo é disposta em compartimentos, como o vascular, intersticial e celular. Cada um destes compartimentos depende de várias condições orgânicas, por exemplo da temperatura, da função renal, da presença de eletrólitos em níveis adequados e de patologias que sobrecarreguem o organismo na produção e eliminação de fluidos. A maior parte da água presente no organismo se encontra no compartimento intracelular e proporciona o meio através do qual se realizam as funções metabólicas. Via de regra, o compartimento intracelular é o último a alterar-se nas enfermidades (ou agravos com hemorragias) e na desidratação. Outra porcentagem da água no nosso organismo encontra-se no espaço extracelular, que se divide em dois compartimentos o intravascular (IV), ou plasma, e o Líquido Intersticial (IT).

 

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DESIDRATAÇÃO:

Denominamos desidratação quando há um prejuízo entre a quantidade de líquido e eletrólitos nos compartimentos citados acima, seja ele através de uma ingestão insuficiente de água e/ou por uma perda excessiva de líquidos, como por exemplo em caso de diarréia ou pela transpiração (suor). Todos nós sabemos que a água é indispensável para o bom funcionamento orgânico. Entre suas funções, ela auxilia no controle da temperatura central (interna) durante a prática desportiva e no transporte de nutrientes, aminoácidos, glicose e vitaminas. Além disso, ela é o meio em que a grande maioria das reações químicas ocorrem. Dependendo da relação entre a perda de água e de eletrólitos, a desidrataçã é classificada como isotônica, hipertônica e hipotônica.

-Desidratação Isotônica: É a forma mais comum (70 a 90{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} dos casos), tendo como etiologia principal a diarreia e os vômitos. Neste caso, há uma perda de água e os sais minerais em proporções equivalentes às que existem no organismo. Na grande maioria das vezes, este tipo de desidratação1 é encontrada em crianças pequenas.

-Desidratação Hipertônica: Corresponde a cerca de 2 a 10{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} dos casos. Sua principal característica é uma perda de água proporcionalmente maior que a perda de eletrólitos, como ocorre na falta de ingestão de água, sudorese excessiva, diurese osmótica e uso de diuréticos. É comum em diabéticos e em algumas crianças com diarreia

-Desidratação Hipotônica: Também chamada de hiponatremia, é a forma mais grave de desidratação e corresponde a cerca de 8 a 20{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} dos casos.  Proporcionalmente são perdidos mais sais que água, como nos casos de transpiração muito elevada, perdas gastrointestinais ou quando a reposição de líquido é feita só com água, sem sais. Nesse caso, ocorrerá transferência de líquido extracelular para dento da célula. Ocorre em alguns casos pediátricos com diarreias.

 

SINTOMAS:

A desidratação aguda pode trazer uma série de complicações de imediato e se não tratada de forma adequada pode levar a consequências graves e irreversíveis. Entre seus sintomas iniciais mais típicos, destacamos:

– Câimbras;

– Olhos fundos;

– Dor de cabeça;

– Náuseas;

– Sede extrema, sonolência;

– Hipotensão arterial (pressão arterial baixa);

– Irritabilidade e confusão, em adultos;

– Taquicardia (batimento cardíaco rápido);

– Boca, pele e mucosas secas;

– Oligúria (pouca micção) e até Insuficiência Renal Aguda;

– Taquipnéia (espiração rápida) e, nos casos mais graves, delírio ou inconsciência;

– Redução da performance física;

– Febre;

– Indisposição.

 

RECOMENDAÇÕES:

 

  • Beba bastante água: A ingestão recomendada de água ao longo do dia varia num total de 25 a 30 ml/kg de peso corporal ou aproximadamente 2,0 a 2,5 litros por dia. Em casos de atividade física e trabalho ao ar livre, reponha os líquidos e eletrólitos proporcionalmente à sua perda.
  • Consuma água de coco: Na segunda guerra mundial os soldados feridos utilizavam a água de coco como isotônico intravenoso para prevenir mortes por hemorragia extensa. Considerado o único isotônico realmente natural, a água de coco possui eletrólitos (minerais iônicos, como sódio e potássio), semelhantes ao plasma humano, o que possibilita uma absorção mais rápida, sendo ideal também para repor o líquido perdido depois das atividades físicas e para a recuperação nos casos de desidratação.
  • Evite exercício físico em demasia expostos ao sol.
  • Evite ingerir bebidas alcoólicas durante os dias de índice de calor intenso: O consumo de álcool, especialmente quando o clima está quente, aumenta a perda de líquido pela urina.
  • Use roupas apropriadas: Poucos sabem, mas os tecidos das roupas influenciam diretamente a “respiração da pele”. As fibras sintéticas, por exemplo, intensificam a sudorese. Por outro lado, os tecidos naturais, como algodão, viscose, seda, linho e cetim, mantêm a pele em condições favoráveis. Evite roupas justas e de coloração escuras, pois estas, além de incomodar, absorvem muito calor.
  • Use diariamente leite de magnésio na pele: Ao despertar, após tomar banho, aplique sobre a pele de quatro a cinco gotas de leite de magnésio e espalhe uniformemente. Além de hidratar e reduzir o suor, ele também reduz a oleosidade facial, evento que contribui para diminuição de acnes (espinhas) e comedões (cravos).
  • Use bicarbonato de sódio para a limpeza da pele: O uso de bicarbonato de sódio na pele é capaz de contribuir com o pH cutáneo, diminuir a colonização bacteriana, eliminar células mortas e potencializar a ação de um futuro hidratante. Na internet é possível identificar diversas receitas caseiras que incluem o bicarbonato de sódio na limpeza cutânea, mas devemos analisá-las com cautela. A esfoliação deve ser realizada de maneira suave e no máximo uma vez por semana.
  • Verifique se as pessoas incapacitadas, crianças e idosos estão ingerindo líquidos, principalmente água: Em virtude da sarcopenia (perda de massa muscular), com o passar dos anos a quantidade total de água no organismo diminui. Além disso, os mecanismos de resposta de sede diminuem. Por isso, fique atentos à demanda hídrica dos idosos.
  • Consumo de infusão de Sálvia Seca: A Sálvia ( Sálvia Oficiallis) é uma planta também conhecida como Salva, Salveta e Salva Vermelha. As propriedades medicinais desta planta podem ser aplicadas em diversas condições, inclusive no auxílio das ondas de calor da perimenopausa. Misture de cinco a seis colheres de sopa de Sálvia seca em um litro de água fervida por 15 minutos. Espere esfriar, coloque no refrigerador e beba. A Sálvia contém agentes que ajudam a regular as glândulas
  • Tenha atenção à higiene: No nosso dia a dia estamos expostos a diversos fatores que prejudicam a respiração da pele. Entre eles, destaco as partículas de poluição, as bactérias, os resíduos de maquiagem, o suor, além dos cremes e outros cosméticos. A não eliminação das impurezas acumuladas na pele pode levar à obstrução dos poros e ao surgimento de miliuns (pequenas bolinhas de sebo), cravos e espinhas, favorecendo também a oleosidade. De acordo com os dermatologistas da Sociedade Médica de especialistas em Cirurgia Dermatológica (SBCD), a pele deve ser higienizada duas vezes ao dia: pela manhã e à noite. Pela manhã, a pele deve ser higienizada de modo a remover as impurezas acumuladas durante a noite, usando para isso água morna ou fria – a temperatura alta favorece o ressecamento. Deve-se usar um sabonete adequado ao tipo de pele, preferencialmente líquido. À noite, a higienização com sabonete deve ser complementada com produtos específicos, como tônicos e loções. É imprescindível também que a maquiagem seja retirada antes de dormir, com demaquilantes apropriados para cada tipo de pele.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Saat M, Sirisinghe RG, Singh R, Tochiharan Y. Effects of short-term exercise in the heat on thermoregulation, blood parameters, sweat secretion and sweat composition of tropic-dwelling subjects. J Physiol Anthropol Appl Human Sci 2005;24:541-9.
  2. Rivera-Brown AM, Gutiérrez R, Gutiérrez JC, Frontera WR, BarOr O. Drink composition, voluntary drinking, and fluid balance in exercising, trained, heatacclimatized boys. J Appl Physiol 1999;86:78-84.
  3. Buggy DJ, Crossley AWA. Thermoregulation, mild perioperative hypothermia and postanesthetic shivering. Br J Anaesth 2000; 84: 615-628. 
  4. Gyton AC. Body temperature, temperature regulation and fever. In: Gyton AC, Hall JE – Textbook of Medical Physiology. 9o ed. Philadelphia: WB Saunders, 1996; 911-922. 
  5. Georgopoulos N, Markou K, Theodoropoulou A, Paraskevopoulou P, Varaki L, Kazantzi Z et al. Growth and pubertal development in elite female rhythmic gymnasts. J Clin Endocrinol Metab 1999;84:4525-30.
  6. Bar-Or O, Dotan R, Inbar O, Rotshtein A, Zonder H. Voluntary hypohydration in 10- to 12-year-old boys. J Appl Physiol 1980;48:104-8. 10. Bar-Or O, Wilk B. Water and electrolyte replenishment in the
  7. Saat M, Tochiharan Y, Hashigughi N, Sirisinghe RG, Fujitan M, Choun CM. Effects of Exercise in the Heat on Thermoregulation of Japanese and Malaysian Males. J Physiol Anthropol Appl Human Sci 2005;24:267-75.