Whey Protein: Muito mais que um suplemento esportivo!

Whey Protein: Muito mais que um suplemento esportivo!<
24/05/2017

O Whey Protein é um dos suplementos esportivos mais completos. Entenda sua origem e aplicabilidade.

 

O suplemento

Todo e qualquer suplemento esportivo deve ser introduzido na rotina do atleta, ou praticante de atividade física, visando a responder a cada composto que ali se encontra. Para aqueles que visam hipertrofia muscular, sem dúvidas o Whey Protein estará entre os mais aconselháveis. Não é à toa que as indústrias investem cada vez mais nesta classe de suplementos. Desde que a busca por uma melhora na qualidade de vida e performance física passou a ser prioridade na vida de muitos brasileiros, virou rotina as pessoas aderirem a moda da suplementação no pré e pós treino, todavia, a grande maioria não busca por auxilio profissional, assim como também não procuram conhecimento sólidos sobre as propriedades daquele suplemento escolhido!

Evidências recentes sustentam a teoria de que as proteínas do soro do leite, além de seu alto valor biológico e aplicabilidade no esporte, também possuem peptídeos bioativos, que:

atuam como agentes antimicrobianos,

anti-hipertensivos,

reguladores da função imune,

efeitos hipotensivo,

antioxidante,

hipocolesterolêmico.

Para começar, Whey Protein é o nome a um suplemento extraído a partir do soro do leite durante a fabricação do queijo. Por décadas, essa parte do leite era dispensada pela indústria alimentícia. E somente a partir da década de 70, que os cientistas passaram a estudar sobre as propriedades das proteínas que ali se encontravam em abundância. Passando então a ser utilizados e introduzidos no mercado, na sua confecção há uma minuciosa filtração do leite que poderá ser cada vez mais refinada. Na primeira fase basicamente ha uma extração de seu soro, passando então por outras sucessivas fases, as quais diminuem gradativamente a quantidade de carboidratos, lipídios e outros compostos deploráveis do alimento base ate chegar em sua composição esperada. Esse processo é um dos mecanismos que contribui para qualidade e função do produto, desde modo, teoricamente, quanto mais elaborado e filtrado, mais caro será! É evidente que o valor biológico das proteínas que se encontram neste suplemento, é o que determina a eficiência nutricional nas diversas vias de sinalização intracelular e hormonal.

Qual a diferença entre os tipos?

O suplemento Whey Protein , reside de inúmeras tecnologias que os diferenciam não somente dos preços e marcas, mas também da qualidade dos ingredientes de cada um. Dependendo do suplemento, neste poderá haver o acréscimo de minerais, vitaminas, flavonóides e até mesmo outros suplementos associados. Entretanto, antes de citar os outros suplementos, primeiro preciso que entendam quais são as diferenças entre as classes de Whey encontrados no mercado:

Whey Protein Concentrado (WPC): Apesar de mais barato este tipo nos garante uma suplementação proteica significativa. Visando uma análise global da saúde usualmente eu não costumo indica-lo. Isso porque é o que passa por menor processo de filtração, e desta maneira acaba carregando lactose, gorduras entre algumas proteínas alergênicas. Na finalidade de aprimorar ou custear o suplemento, alguns fabricantes acrescentam ainda mais carboidratos sob a forma de dextrose, maltodextrina ou waxy maize, além de corantes, conservantes, BCAAs e flavorizantes, pois mesmo garantindo uma porção considerável de proteínas, (usualmente representado por 25{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} a 89{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64}), a grande maioria destas são representada pela caseína, uma macroproteína altamente inflamatória e de absorção lenta.

Whey Protein Isolado (WPI): Advém de um processo de filtração maior que a versão acima e normalmente, todas as outras substâncias indesejadas (para a sua finalidade) como gorduras, carboidratos, lactose e caseína são removidas. Aqui estamos falando de aminoácidos na forma mais pura, representados por cerca de 90{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} a 95{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} de sua composição. Na fabricação deste suplemento ha duas formas de filtração: 

  • Isolado Micro filtrado: processo mais moderno, que não prejudica a estrutura das proteínas, pois a filtragem é realizada de maneira mecânica em baixas temperaturas. Além disso, possui baixo teor de sódio.
  • Isolado Íon Exchance: obtida a partir da filtração com reagentes por meio de um processo químico que separa as proteínas. A parte negativa desse processo é que no produto final poderá haver grande desnaturação (quebra) das proteínas e aumento no teor de sódio.

Whey Protein Hidrolisado (WPH): Esse além de passar por inúmeras filtragens também é submetido a processos de hidrólise, na qual suas proteínas são parcialmente ou completamente hidrolisadas, resultando na disponibilidade de tri ou di-peptídeos. Isso nos garante uma absorção mais rápida e por conseguinte melhor sinalização hipertrófica. Fica aqui uma ótima opção de suplementação para os alérgicos a caseína e intolerantes a lactose. Eu particularmente uso e indico este tipo.

Para facilitar ainda mais sobre qual produto escolher, sempre leia as informações contidas no rótulo de cada suplemento:

  • Fabricante: Saber qual fabricante e qual país esta produzindo o suplemento é muito importante. Procure pelos mais conhecidos e por indústrias submetidas a rigorosos regimes de qualidade e autenticidade – normalmente as norte americanas e europeias.
  • Lista de ingredientes: Nesta área está descrito todos os ingredientes presentes no suplemento. Como aqueles comentados acima no WPC.
  • Tabela nutricional: As informações nutricionais são de suma importância, pois o percentual de proteínas, carboidratos, gorduras, sódio, calorias, entre outros componentes presente na porção do produto estão diretamente relacionados com a qualidade do mesmo. A ANVISA determina que independente do tipo de Whey Protein, ele deva conter, no mínimo, 10g de proteínas por porção pronta para o consumo, além de também atender o mínimo de 50{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} do valor energético total proveniente das proteínas.
  • Aminograma: descreve a quantidade de aminoácidos por porção. Fique atento aos teores de BCAA’s (leucina, isoleucina e valina), pois estes são os principais responsáveis pelas sinalizações que desejamos, principalmente a leucina. 

Aplicabilidade no Esporte:

A diminuição da massa muscular esquelética está associada à idade e à inatividade física. Na atualidade esta suficientemente comprovado que a manutenção ou o ganho de massa muscular esquelética, principalmente em pessoas idosas, contribui para uma melhor qualidade e prolongamento da vida. Logo, a ingestão de proteína ou aminoácidos, após exercícios físicos, favorece a recuperação e a síntese protéica muscular. Além disso, quanto menor o intervalo entre o término do exercício e a ingestão proteica, melhor será a resposta anabólica ao exercício. De acordo com a presente literatura, pessoas envolvidas em treinos de resistência necessitam de 1,2 a 1,4g de proteína por quilograma de peso ao dia, enquanto que atletas de força, necessitam de 1,6 a 1,7g por kg de peso/dia. Como podem ver, desta forma quando visamos hipertrofia muscular, fica nítido a necessidade em adquirir esta quantidade de proteínas, obviamente sem uma suplementação dificilmente um individuo chegaria ao preconizado.

Os aminoácidos essenciais presentes no suplemento atuam sob diversas formas cuja via final resulta na hipertrofia. Destacamos a redução do catabolismo protéico, ação sobre a liberação de hormônios anabólicos como, por exemplo, a insulina e Gh (hormônio do crescimento. Quando falamos em aminoácidos presentes no Whey Protein, precisamos destacar o principal deles, a leucina, que é um importante desencadeador da síntese proteica. Este aminoácido essencial participa diretamente na ativação da proteína quinase mTOR (alvo da rapamicina em mamíferos) e como conseqüência, na fosforilação do complexo do fator 4. A ativação da mTOR resulta na fosforilação da proteína ribosomal S6 quinase (S6K1) e do fator de iniciação eucariótico 4E (4E-BP1), duas proteínas envolvidas na fase de iniciação da síntese protéica. Em suma a participação destes aminoácidos nos processos bioquímicos de sinalização favorecem o ganho de força muscular e reduzem a perda de massa muscular.

Um bom Whey Protein melhora também, o desempenho muscular, por elevar as concentrações de um potente antioxidante chamado glutationa, diminuindo, assim, a ação dos agentes oxidantes oriundos do treinamento de força e dieta que impactam nas fibras musculares.

Outras aplicabilidades do Whey Protein para a saúde humana:

Hipertensão Arterial:

A importância das proteínas do soro no controle da hipertensão tem sido foco de inúmeras pesquisas. As proteínas do leite possuem peptídeos que inibem a ação da enzima conversora de angiotensina (ECA), que, por sua vez, está envolvida no sistema renina-angiotensina. A ECA catalisa a formação de um potente vasoconstritor, a angiotensina II e inibe a ação da bradicinina, um vasodilatador. Apesar de muitos resultados serem observados in vitro, cientistas avaliaram o efeito de um WPH em pacientes hipertensos e observaram que sua utilização reduziu significativamente a pressão sangüínea, tanto sistólica como diastólica.

Distúrbios do humor e estresse

Nos últimos anos, muito têm se estudado sobre os efeitos da alimentação e dos nutrientes sobre alterações do humor. O foco dessas pesquisas tem sido avaliar os efeitos da serotonina, um neurotransmissor produzido pelo cérebro e pela flora intestinal, que está diretamente relacionado às alterações de humor e ao estresse. Sob condições de estresse crônico, a produção exacerbada de serotonina pode resultar em depleção da mesma, via redução do triptofano, seu precursor, causando diminuição da sua atividade e, como conseqüência, alterações de humor e aparecimento da depressão. A disponibilidade de triptofano na corrente sanguínea pode facilitar sua captação pelo cérebro e, dessa forma, favorecer a produção de serotonina. Diversas estratégias nutricionais têm sido investigadas com esse intuito. Entre essas, foi observado em pacientes submetidos ao estresse, que a administração de uma dieta enriquecida com os aminoácidos BCAAs (encontrados no soro do leite) aumentou em 48{38daca63331c1b4c3153deb733e3b90a2d84c598910130c407bc908db2a28b64} a relação plasmática Triptofano (TRP) em comparação a uma dieta placebo, composta de caseína.

O aumento na disponibilidade de TRP estimulou a produção de serotonina, melhorou o humor e reduziu a depressão dos sujeitos em estudo, de forma significativa. Apesar de contraditório às observações de que a administração de precursores da serotonina aumenta as concentrações de cortisol, o aumento na concentração de triptofano reduziu as concentrações desse hormônio. Nesses indivíduos, a atividade da serotonina pode melhorar a adaptação ao estresse, contribuindo para a redução do cortisol. Segundo esses autores, diferentes vias metabólicas estão envolvidas na adaptação ao estresse, iniciando e finalizando a atividade do eixo adrenocortical, não sendo a neurotransmissão serotonérgica um mecanismo único. Conseqüentemente, a capacidade de adaptação ao estresse pode acompanhar uma redução da resposta do cortisol e melhorar o humor.

Inúmeras outras pesquisas vêm demonstrando propriedades nutricionais e funcionais das proteínas do soro do leite. Algumas arriscam a dizer sobre aplicabilidade do Whey Protein na prevenção da cárie, na absorção de zinco, além de sua extensa aplicação em pacientes internados em UTI, os quais apresentam expressiva redução da massa muscular esquelética.

 

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